segunda-feira, 18 de março de 2013

Uma história de "vida"

*História fictícia, porém baseada em fatos que acontecem no mundo.

     Havia numa cidade um médico muito conhecido em seu país, pois realizava seu trabalho como ninguém. Trabalhava há anos numa clínica que fazia partos e também abortos, que em sua terra eram permitidos em qualquer circunstância. Mulheres vinham de outras cidades até o doutor X, porque confiavam no seu trabalho mais do que em qualquer outro.
     Em um dia comum de expediente, o simpático doutor X presenciou algo que mudaria sua vida para sempre. Uma jovem mulher, grávida, foi brutalmente atropelada em frente à clínica onde ele trabalhava. O motorista do carro imediatamente fugiu do local, sem prestar socorro e ninguém anotou a placa do veículo. Doutor X, então, correu para socorrer a mulher e levou-a para dentro da clínica a fim de prestar os primeiros socorros. Em pouco tempo a mulher faleceu, mas não sem antes olhar bem dentro dos olhos do médico e dizer, aflita: "Por favor, salve meu filho...".
     Na verdade, o bebezinho estava para completar 6 meses na próxima semana, era muito, muito pequenininho. Era quase impossível salvá-lo. Mas, por um milagre, ele sobreviveu. Ficou durante meses internado na UTI neonatal, mas se recuperou de modo a assustar todos os médicos, contra todas as expectativas.
     Mais perturbador ainda foi conhecer a história do bebê. Quando sua família chegou e teve, enfim como parar para conversar com o doutor X, este ficou estarrecido ao saber pela tia do bebê, que este era fruto de um estupro! Sua mãe, recém falecida, tinha apenas 19 anos, era uma universitária do curso de Direito.
     "Como ela conseguia amar este bebê e querer que ele vivesse?!" - perguntou, atônito o incrédulo doutor. "Doutor, era o filho dela!" - respondeu a irmã da falecida mamãe. "Mas ela não o planejou... Foi forçada! Ela não teve culpa nenhuma dele ter sido concebido." - respondeu o médico. "Sim, infelizmente nossa rebeldia contra Deus tornou o mundo um lugar perigoso. Mas o bebê era inocente. Por que castigá-lo? Ele sequer existia quando aconteceu... Ele não escolheu seu pai." - respondeu, pacientemente, com voz embargada a tia do bebê milagroso. "Ela era tão jovem, estava estudando Direito, tinha um futuro pela frente. Vejo que pessoas cruéis tiram a vida sem pena. Primeiro, ela é forçada  a engravidar, depois, é atropelada e deixada na rua até que alguém a veja. Ela não merecia isso..." - reflete o doutor. "Sim, doutor, concordo. Pessoas cruéis tiram a vida sem dó. É melhor tomarmos cuidado para não nos tornarmos essas pessoas, tirando a vida de inocentes. É Deus quem dá a vida, só Ele pode escolher a hora de tirá-la. Sabe, doutor X, eu acho que o meu sobrinho sobreviveu por algum motivo especial... Um dia vamos entender o porquê. Essa grande maldade no mundo é consequência da rebeldia humana contra o Criador desde o início. Mas um bebê lindo como este só pode ser um presente de Deus na nossa vida!" Sem palavras, o doutor engole as lágrimas e se retira para realizar mais um aborto.
     Dias depois, doutor X fez uma descoberta que o deixou pasmo. Por engano, um parente acabou soltando perto dele um segredo: sua própria mãe tentara abortá-lo. Ela engravidara adolescente, teve medo e vergonha disso, mas seu pai não permitiu que ela fosse até uma clínica abortiva. Seu pai, ainda adolescente, começou a trabalhar como podia para sustentá-lo, para que sua mãe aceitasse o filho. O doutor X ficou totalmente confuso, irado, triste. Não sabia o que pensar. Ele cuidava tanto de sua mãe, ele era tão companheiro, ela o amava tanto também! Como ela pode ter pensado um dia em tirar sua vida?! Então ele se deu conta do trabalho em que estava metido. Examinou os acontecimentos dos últimos dias e refletiu se não estava na hora de mudar sua filosofia.
     Algumas semanas depois, o doutor já estava perturbado por seu trabalho. Sentindo-se diferente, como se fosse um... assassino. Então, num dia, chega à clínica uma mãe com dois filhos pequenos, um de 4 e outro de 1 ano; o 3º filho ainda na barriga. "Doutor X, eu não quero ter mais um filho. Sabe como é, né? Hoje em dia as coisas estão complicadas. Precisa ter muito dinheiro para criar uma criança. Filho é coisa séria. Preciso abortá-lo, doutor. Já tenho duas crianças pequenas que me dão um trabalho absurdo! Meu marido e eu vamos pirar se tivermos o 3º filho agora!" - "Entendo, senhora... espere só um minutinho". Dentro de instantes, médico retornou à sala com um cacetete, uma tesoura dessas que se usa para podar árvores e um recipiente com éter.
     "O que é isso, doutor?!" - perguntou a mulher, confusa. "Simples. A senhora só quer ter dois filhos nesse momento, certo? Um aborto é muito mais complicado de se fazer do que isto. Pode escolher um de seus dois filhos e matá-lo. Use este cacetete e espanque-o até a morte". "Está louco, doutor?! Eu jamais faria isso!" - disse a mulher, apavorada.
     "Então, tem outro jeito. Pode utilizar esta tesoura e cortá-lo até sobrarem só pedaços dele" - sugeriu o doutor calmamente. "Nunca! O senhor pode parar de brincadeira e me atender direito?! Não gosto de perder tempo!" - trovejou a paciente mais uma vez.
     "Bom, então, pode pegar um pano, colocar éter e..." - o doutor desta vez foi interrompido com ódio. "Chega!!!" - disse a mulher, já chorando. "Como o senhor pode brincar com coisas tão sérias?! São meus filhos!"
     "Eu entendo, senhora. A senhora é que não entende que ele é seu filho" - respondeu o doutor, apontando para a barriga da gestante. "A senhora escolheu matar aquele que ainda está aí dentro. Por que não mata um que já esteja aqui fora? Por que não espera ele nascer e o mata? Há alguma diferença? Senhora, sue filho luta por sua vida mesmo ainda estando em sua barriga. Em cada aborto vejo bebês indefesos tentando se esquivar dos instrumentos que os matarão, vejo-os lutando para viver, sem entender o porquê de estarem sofrendo tanto. Por que brincamos com algo tão sério como a vida de outra pessoa? Não cabe a nós escolher  a hora da morte dos outros".
     A gestante, soluçando, ainda sem acreditar em tudo o que ouvia, disse: "Mas ninguém pode me impor isso! O senhor fala isso porque é um machista! Só pensa em você mesmo! E as mulheres? Eu tenho poder sobre meu próprio corpo!" - "Sim, senhora" - respondeu o médico - "Mas seu filho não faz parte do seu corpo. Ele não é a senhora. A senhora o concebeu, mas ele é diferente da senhora. Se não houvesse uma placenta envolvendo-o, seu corpo o expulsaria daí, pois ele é outro ser tanto quanto seus outros filhos que já nasceram. Ele não é culpado pela senhora não o desejar".
     "Eu não quero ouvir mais nada! Pare, doutor! O senhor não serve para trabalhar aqui! Não sei o que um bitolado como o senhor faz neste lugar! Ouvi falar tão bem do senhor, mas agora estou vendo que não é bem assim! Machista!" - disse raivosamente a mulher, que saiu a passos firmes do consultório, com seus filhos e procurou ser atendida por outra pessoa na clínica. Marcou seu aborto e foi embora.
     O doutor X só não foi demitido porque era realmente um obstetra incrível. Mas ele mudou de área em sua profissão. Nunca mais conseguiu realizar abortos. Tempos depois ele ficou tão perturbado por ganhar um salário manchado com o sangue de tantos inocentes que abriu sua própria clínica pró vida, com serviços de obstetrícia, psicólogos para mães que pretendiam abortar (para que mudassem de ideia) e um serviço que cuidava de pessoas que desejassem encaminhar os bebês para adoção.
     A mulher grávida da nossa história retornou no dia marcado, para realizar o aborto. Foi preparada pelos médicos, sentou-se na maca. Sua gestação já estava no 4º mês.
     "Hum, era uma menina!" - então a mulher começou a chorar silenciosamente. Ela tinha dois meninos. Sempre sonhara em ter uma menina. Ela e o marido já haviam até escolhido um nome para uma possível menina.
     Depois de termiando, a mulher viu, então os pedaços de sua filha num recipiente, uma mãozinha, outra mãozinha, um pezinho... "O que vocês fizeram?! Sanguinários!" - gritou em desespero, a mãe. "Senhora, não aconteceu nada de mais, fique tranquila. É só um feto... Acalme-se. Vai ficar tudo bem" - respondeu uma enfermeira, tentando tranquilizá-la.
     A mulher não parava de chorar, de forma que precisou de um calmante para que parasse de chorar e gritar, pois as palavras do doutor X ecoavam em sua mente: "Por que brincamos com algo tão sério como a vida? Esse filho luta por sua vida. Não cabe a nós escolher a hora da morte dos outros".
     Depois de tudo a mulher pensou consigo mesma: "É, foi melhor assim. Eu não podia ter outro filho agora. Foi melhor para mim. Melhor eu parar de pensar nisso". Tempos depois, a mulher, em depressão num leito de hospital, veio a falecer.